quarta-feira, 8 de julho de 2009

A Produção Cultural


Fui e vivi,


Uma das contrapartidas para o patrocínio à Semana Roseana - Guimarães Rosa, foi a itinerância do Cinearte Sarau pelo "Circuito Guimarães Rosa". Eu, pessoalmente, acompanhei o sucesso que foi a passagem do Cinearte pelo município de Várzea da Palma: cidade à margem do Velho Chico e, como várias delas, o império da seca toma conta daquela região árida, pobre, desastida. Estamos falando da rica Minas Gerais! Pois bem, chega o cinema andarilho na pequena cidade, as pessoas se organizam com barraquinhas de comidas (bolos, baião-de-dois, pastéis, garapas - ou caldo-de-cana, para alguns - pipoca, etc.).

A feira de artesanato local que acontece toda sexta-feira, antecipou sua montagem em um dia para ser, próximo ao evento do cinema, montada com toda a galhardia possível! Ah, detalhe! Como a prefeitura local está acostumada a providenciar festas que não necessitam de cadeiras - o carnaval dos trios elétricos - as próprias pessoas foram orientadas a trazer suas próprias cadeiras! Não deu outra: foi um tal de arrasta cadeira pela cidade, danado! A praça ficou cheia de gente sentada nas cadeiras que trouxeram e outras tantas de pé, às gargalhadas com Chaplin e, mais tarde, na segunda sessão, contemplando e pensando nas imagens do "O ano em que Meus Pais Saíram de Férias".

Agora Curvelo, a terra natal da grande Zuzu Angel. Olha lá a massa na praça! Detalhe importante: o horário de exibição do filme é sempre entre 19:00 e 20:00. Horário de pico global! Nossa concorrência é forte! No curso de gestão de patrocínios que estamos participando, recebemos a
informação de que apenas 15% dos municípios brasileiros têm salas de cinema. Portanto, vamos levar a contemplação para esse povo, vamos levar um pouco do outro mundo que não passa na TV para esse povo recôndito - e só lembrado na hora de votar.


Como diz a chamada da PETROBRAS, "vida longa ao cinema".... que é um dos grandes divulgadores da cultura nacional e tem sim, o poder de transformar uma sociedade.



Parabéns a todos!


Abraço,

Guilherme Carvalho

Petrobras

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Produtor Cultural

O produtor cultural desenvolve e organiza projetos artísticos e culturais, como espetáculos de teatro, dança, música, produções televisivas, festivais, mostras e eventos. Pode trabalhar com artistas ou com organizações e empresas voltadas à área cultural. Avalia o orçamento do projeto, define cronogramas e atua na busca de recursos para a montagem da obra, quando capacitado. Uma vez habilitado em comunicação social e ocupante de cargo estratégico em um ambiente empresarial, contribui com a política de investimentos no setor, analisa as propostas de patrocínio cultural e verifica se são adequadas ao perfil da instituição ou empresa. Atua no gerenciamento de órgãos públicos culturais e instituições, elaborando políticas para a arte e a cultura.

O produtor cultural no papel de "Executive Producer" termo cunhado para designar quem "raise money", busca recursos para a indústria do cinema, atua na escolha do roteiro e direcionamento da pré, produção e pós produção. No nosso caso, tem a missão de viabilizar economicamente projetos de toda e qualquer natureza. Ele mais do que ninguém entende as necessidades de que a esfera pública gera através de sua política cultural e acompanha seu direcionamento dado a incentivos, investimentos diretos ou na construção de apoios, permutas institucionais e patrocínios.

No Brasil, esse produtor executivo ainda é restrito a pouco profissionais. O tão falado espírito empreendedor é vital para a idealização de projetos, análise de potencialidade destes e como estes se relacionam com a sociedade. Por outro lado, é oportuno viver o ambiente de uma empresa, entender seu perfil, sua responsabilidade social, seus valores atribuidos à sociedade. Criar um mecanismo de diálogo com foco numa parceria estratégica ideal para a manifestação de valores culturais, é algo realmente de "gatekeeper", filtro, na utilização de ferramentas de marketing, publicidade, relações públicas, administração, planejameto estratégico, visão sistêmica para transformar seus objetivos em um único. Precisa claro, de uma boa estrutura administrativa e financeira no suporte aos sonhos visionários.

O Produtor Executivo é segundo Oscar Hammerstein, uma figura rara e paradoxal gênio-cabeça dura, coração mole, prudente, irresponsável, um inocente esperançoso quando o tempo é bom e um duro piloto de avião em tempo ruim. Um matemático que prefere ignorar as leis da matemática e confiar na intuição. É também idealista, realista, um prático sonhador, um sofisticado jogador, uma criança em cena.

Por muito tempo os profissionais de teatro acreditavam que o produtor simplesmente nascia, não era necessário buscar a capacitação. Não era possível ensinar a ser produtor. Ser um grande produtor era algo institivo, coisa de habilidades naturais. Hoje o produtor tem de saber administrar princípios e manter uma árdua disciplina. Com a globalização, a indústria cultural ampliou o "show business", megas turnês internacionais sempre insistem em nos dizer algo, apontar o quão importante é a comunicação, o planejamento, a definição da estratégia, a escolha do parceiro ideal para um bom produto. É salutar a tentativa de trabalharmos para a profissionalização do setor, discutir projetos dentro de um plano macro e institucional, com foco nos resultados esperados do escopo.

A ausência de um instrumento educacional no setor contribui para a falta de diálogos e coloca os bons profissionais em virtuais rivais. Não são ou não deveria ser. Entende-se que a falta de discussão de políticas que contribua para o crescimento sustentável da produção cultural brasileira, ao medo e receio de velhos produtores, formados em "escolas" arcaicas, de perderem seus contatos ou influências políticas. Produtor cultural que ainda depende de mazelas políticas está a cada dia mais longe do processo de fomento a arte. O envolvimento das empresas com o setor cultural gera grandes oportunidades para as diversas esferas. Não cabe e nem tem espaço para amadores sem estratégia e plano de trabalho.

Portanto, se encararmos a produção cultural como algo complexo e carente de investimentos de formação e capacitação, chegaremos a conclusão que o papel do produtor não pode se limitar à execução de processos, elaboração de projetos, planejamento de trabalho para grupos ou agendamento pautas e hospedagens. O produtor executivo, "executive producer", é antes de tudo um estrategista.

Mauro Maya

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O Papel da Cultura na Economia e Sociedade



Os primeiros trabalhos de economia da cultura, em particular os de Baumol, sobre o espetáculo ao vivo, haviam estabelecido a impossibilidade da produção cultural, dentro dos seus diversos segmentos, obter ganhos ou gerar renda.

A famosa lei de Baumol - " Baumol, W.J. Performing arts. The economic dilemma. Conclui que a reprodução ao infinito do espetáculo (ensaios, desgaste físico dos artistas, fadiga e também a falta de rentabilidade do ofício -cenários, salários, figurinos, além da impossibilidade de praticar uma política de preços adequada à realidade, contribui para a longo prazo o setor gerar um déficit crônico.

Baumol Diz, " Um déficit crônico que explica a necessária intervenção pública para sustentar a perpetuação da criação, como as políticas tributárias adaptadas a práticas culturais que vão além do círculo exclusivo das elites".

O Surgimento e desenvolvimento das indústrias culturais faz surgir uma nova lógica que consiste na aplicação dos processos industriais aos protótipos da criação artística cultural de importância crucial pelos desafios econômicos que representa e pelas questões que coloca tanto para os meios culturais da criação, como para as políticas públicas da cultura.

O debate atual sobre a Nova Lei de Incentivo à Cultura aponta para os meios de produção cultural, ainda precário no conjunto da federação brasileira e questiona o papel do estado nas políticas públicas de cultura, uma vez que o incentivo, via renúncia fiscal se tornou a principal ferramenta de fomento desde a sua implantação.

A inércia do Estado durante o período que compreende a vigência da Lei Rouanet, criou uma lacuna entre o que era renúncia fiscal e Fundo Nacional de Cultura, respectivamente mecenato e FNC no modelo atual gerenciado pelo Ministério da Cultura. O primeiro tem a Petrobras como a principal investidora alinhada à sua política de responsabilidade social e representa quase 30% dos recursos investidos neste segmento. No segundo caso, o FNC sob gerência do Ministério, não acompanhou o crescimento do mecenato, talvez pela burocracia ou pela má gestão,razão das discussões sobre o modelo da lei atual. A pergunta é por que o Fundo Nacional de Cultura não se tornou uma ferramenta poderosa na gestão de políticas públicas. O orçamento da pasta Ministério da Cultura não chega a 1% do Pib nacional, algo discrepante pela diversidade da cultura brasileira em seus diversos segmentos.

Por outro lado o mercado cultural brasileiro, representado como estatística de volume de projetos inscritos para obtenção de renúncia fiscal, pode ser considerado na sua maioria deficitário de profissionalismo. Digo a gestão profissional de projetos, com planejamento estratégico, orçamentos adequados ao objetivos propostos, cronograma de atividades, respeito, ética e transparência com s poderes públicos e privados. Não entramos aqui no mérito cultural de cado projeto. Mas a grande dissiparidade entre os bens suscedidos na viabilização econômica dos projetos e aqueles que nada conseguem pode ser explicada por uma gestão adequada. É papel do artista entender de planejamento estratégico? Perfil de empresa? Retorno institucional? Sempre que isso acontece algo sairá errado e muitas vezes para o próprio artista que, ao apresentar seu produto o negocia como se a empresa estivesse fazendo um favor em investir e por isso oferece a esta algo impossível de cumprir. Começa então um círculo vicioso de erros, mentiras, equívocos e promessas não cumpridas. Muitas empresas têm tentado seguir o exemplo da Petrobras para investirem em produção cultural, esbarram nesse legado de amadorismo deixado por produtores incapacitados, negociatas, jeitinho, amizades e promiscuidade.
Atribuir as distorções da Lei de incentivo à uma região ou estados como poder centralizado é desconsiderar o papel da cultura na economia e sociedade. Não podemos mais ficar a "mercê" de orçamentos incompatíveis com o tamanho de nosso país, a gestões culturais sem visão estratégica, a apoio de um deputado ou senador. Cultura é negócio!!! Emprega sim, cria vínculos, leva a imagem do Brasil para o mundo, forma platéia, eleva o ego e sobre tudo é entretenimento, diverte educando.

As regiões sul e sudeste representam 80% dos projetos inscritos no Ministério, relevante pelo peso industrial e populacional. O norte e nordeste demandam menos por questões históricas, menor número de habitantes, defasagem educacional, descaso do poder público e despreparo ou ausência de produtores culturais. Contrasta entretanto com o valor cultural presente nessas regiões e que de fato precisam ser alavancados pelo papel do estado com política cultural inclusa no Fundo Nacional de Cultura. Alavancar não significa transferência de recursos sem contrapartidas claras de formação e capacitação do cidadão brasileiro, mas consubstancialmente uma gestão adequada apartidária com diálogos entre os setores culturais, esferas privada e pública.

É preciso pensar antes na educação. Não há igualdade educacional no país. Existe uma correlação entre educação e cultura, é impossível resolver o problema da distorção dos recursos sem pensar na formação do cidadão. Os recursos ficarão disponíveis e pela falta de proponentes nas regiões onde o analfabetismo é crescente não serão utilizados. O orçamento destinado à pasta da educação nunca é utilizado na sua totalidade, nem chega a 60%. Educação e cultura caminham juntos, mas não são pensados de forma única, com política de formação cultural e educacional ao aluno.

Portanto é percebido o papel fundamental que a educação cultural e artística pode desempenhar em uma população, para criar, difundir e melhorar um quadro de conhecimentos que permita melhor apreciar o valor do conjunto das informações recebidas e aplicá-las na construção de uma nova sociedade. Este é o papel da cultura na economia e sociedade.