
Os primeiros trabalhos de economia da cultura, em particular os de Baumol, sobre o espetáculo ao vivo, haviam estabelecido a impossibilidade da produção cultural, dentro dos seus diversos segmentos, obter ganhos ou gerar renda.
A famosa lei de Baumol - " Baumol, W.J. Performing arts. The economic dilemma. Conclui que a reprodução ao infinito do espetáculo (ensaios, desgaste físico dos artistas, fadiga e também a falta de rentabilidade do ofício -cenários, salários, figurinos, além da impossibilidade de praticar uma política de preços adequada à realidade, contribui para a longo prazo o setor gerar um déficit crônico.
Baumol Diz, " Um déficit crônico que explica a necessária intervenção pública para sustentar a perpetuação da criação, como as políticas tributárias adaptadas a práticas culturais que vão além do círculo exclusivo das elites".
O Surgimento e desenvolvimento das indústrias culturais faz surgir uma nova lógica que consiste na aplicação dos processos industriais aos protótipos da criação artística cultural de importância crucial pelos desafios econômicos que representa e pelas questões que coloca tanto para os meios culturais da criação, como para as políticas públicas da cultura.
O debate atual sobre a Nova Lei de Incentivo à Cultura aponta para os meios de produção cultural, ainda precário no conjunto da federação brasileira e questiona o papel do estado nas políticas públicas de cultura, uma vez que o incentivo, via renúncia fiscal se tornou a principal ferramenta de fomento desde a sua implantação.
A inércia do Estado durante o período que compreende a vigência da Lei Rouanet, criou uma lacuna entre o que era renúncia fiscal e Fundo Nacional de Cultura, respectivamente mecenato e FNC no modelo atual gerenciado pelo Ministério da Cultura. O primeiro tem a Petrobras como a principal investidora alinhada à sua política de responsabilidade social e representa quase 30% dos recursos investidos neste segmento. No segundo caso, o FNC sob gerência do Ministério, não acompanhou o crescimento do mecenato, talvez pela burocracia ou pela má gestão,razão das discussões sobre o modelo da lei atual. A pergunta é por que o Fundo Nacional de Cultura não se tornou uma ferramenta poderosa na gestão de políticas públicas. O orçamento da pasta Ministério da Cultura não chega a 1% do Pib nacional, algo discrepante pela diversidade da cultura brasileira em seus diversos segmentos.
Por outro lado o mercado cultural brasileiro, representado como estatística de volume de projetos inscritos para obtenção de renúncia fiscal, pode ser considerado na sua maioria deficitário de profissionalismo. Digo a gestão profissional de projetos, com planejamento estratégico, orçamentos adequados ao objetivos propostos, cronograma de atividades, respeito, ética e transparência com s poderes públicos e privados. Não entramos aqui no mérito cultural de cado projeto. Mas a grande dissiparidade entre os bens suscedidos na viabilização econômica dos projetos e aqueles que nada conseguem pode ser explicada por uma gestão adequada. É papel do artista entender de planejamento estratégico? Perfil de empresa? Retorno institucional? Sempre que isso acontece algo sairá errado e muitas vezes para o próprio artista que, ao apresentar seu produto o negocia como se a empresa estivesse fazendo um favor em investir e por isso oferece a esta algo impossível de cumprir. Começa então um círculo vicioso de erros, mentiras, equívocos e promessas não cumpridas. Muitas empresas têm tentado seguir o exemplo da Petrobras para investirem em produção cultural, esbarram nesse legado de amadorismo deixado por produtores incapacitados, negociatas, jeitinho, amizades e promiscuidade.
Atribuir as distorções da Lei de incentivo à uma região ou estados como poder centralizado é desconsiderar o papel da cultura na economia e sociedade. Não podemos mais ficar a "mercê" de orçamentos incompatíveis com o tamanho de nosso país, a gestões culturais sem visão estratégica, a apoio de um deputado ou senador. Cultura é negócio!!! Emprega sim, cria vínculos, leva a imagem do Brasil para o mundo, forma platéia, eleva o ego e sobre tudo é entretenimento, diverte educando.
As regiões sul e sudeste representam 80% dos projetos inscritos no Ministério, relevante pelo peso industrial e populacional. O norte e nordeste demandam menos por questões históricas, menor número de habitantes, defasagem educacional, descaso do poder público e despreparo ou ausência de produtores culturais. Contrasta entretanto com o valor cultural presente nessas regiões e que de fato precisam ser alavancados pelo papel do estado com política cultural inclusa no Fundo Nacional de Cultura. Alavancar não significa transferência de recursos sem contrapartidas claras de formação e capacitação do cidadão brasileiro, mas consubstancialmente uma gestão adequada apartidária com diálogos entre os setores culturais, esferas privada e pública.
É preciso pensar antes na educação. Não há igualdade educacional no país. Existe uma correlação entre educação e cultura, é impossível resolver o problema da distorção dos recursos sem pensar na formação do cidadão. Os recursos ficarão disponíveis e pela falta de proponentes nas regiões onde o analfabetismo é crescente não serão utilizados. O orçamento destinado à pasta da educação nunca é utilizado na sua totalidade, nem chega a 60%. Educação e cultura caminham juntos, mas não são pensados de forma única, com política de formação cultural e educacional ao aluno.
Portanto é percebido o papel fundamental que a educação cultural e artística pode desempenhar em uma população, para criar, difundir e melhorar um quadro de conhecimentos que permita melhor apreciar o valor do conjunto das informações recebidas e aplicá-las na construção de uma nova sociedade. Este é o papel da cultura na economia e sociedade.